Critical Watcher
Foto: Carlos Manuel Pereira

Ela parecia ser tímida diante de situações que envolviam sexualidade. Sempre reagiu com desarmonia quando o tema daquela roda de amigos era sobre os prazeres que o amor carnal podia ostentar. E ela fugia, deixando transparecer a todos o sentido que o constrangimento e a repulsa lhes causavam. Lançava-se naquele canto escuro de seu quarto a chorar por noites a fio. Alguns zombavam com palavras severas; outros tentavam entendê-la.

Dentro daquelas quatro paredes de seu refúgio, a escuridão era o seu único guia, capaz de ouvir aquele pranto incessante e doloroso. O silêncio, por sua vez, manipulava o tempo, transformando os segundos em horas e os minutos em dias. Naquele chão frio e liso ela estirava todo o seu corpo, na tentativa, talvez, de encontrar uma postura que lhe agradasse... Inútil.

Sua pele clara e limpa desenhava a fragilidade que estava implícita naquelas poucas melaninas. Muitas coisas misturavam-se naquela mente cheia de dúvidas, receios e imposições. Havia algo que a manipulava completamente... Algo que fazia as noites serem mais viris e os dias nublados de solidão.

Ela guardava desejos que nem mesmo conseguia entender, e forjava-os no seu íntimo para que ninguém ousasse arrancá-los. Tudo era muito confuso. O seu corpo retraía-se quando sua alma avançava. O plano físico e o espiritual estavam lidando com constantes choques internos...

Tentava esquecer aqueles pensamentos loucos e só os permitia quando em sonho. Lá tudo era possível e, não mais, havia inibições que lhe maltratassem. O suor escorria por seu corpo como resposta àquela união de bocas, mãos e toques. A ousadia, que nunca lhe fora útil, lançava em seu corpo esguio as posições mais banais. Ali eram permitidos os beijos mais quentes e os afagos mais indiscretos. O pudor já não mais excluía o desejo, pois ambos alimentavam-se do prazer.

35 Responses
  1. Eu sou completamente hedonista: ADORO sentir prazer. E dar (prazer) também.
    Sexo pra mim é natural e, mais que algo carnal, é feito de amor.
    (e eu gosto muito!)

    Vou te mandar por e-mail o login e a senha, tá?

    Beijocas.


  2. Vicente!
    Consegui bloquear a seleção e a cópia dos textos do meu blog. (agora faltam as imagens!)
    Obrigada pela ajuda.

    Beijocas, bom carnaval.


  3. M. [doc] B. Says:

    O texto está ____________.
    Simplesmente não encontrei definições. Realmente ele me impregnou na mente e tive que ler umas 4 vezes para realmente senti-lo. O prazer que essa garota sente é incrivel, a solidão e a particularidade que ela dá ao seu corpo é fenomenal.
    Pena que são poucos que conseguem sentir o que ela sente e felizados aqueles que deste prazer disfruta.

    Ótimo blog! (:


  4. M. [doc] B. Says:

    Vicente, o prazer é exclusivamente meu! Meu nome é Magaly. :)

    Fiquei feliz em ver que tinhas passado lá no meu blog. Estou dando uma boa olhada no seu blog e a cada texto seu que leio, além de qualidade, me identifico um pouco com eles. Ótimos.

    Fielmente desejo uma melhora da sua dor de cabeça. Pense, isso é péssiiiiimooooo!


  5. Jaya Says:

    Olá, Vicente!

    Primeiro, quero começar agradecendo tua visita ao meu espaço, com um comentário tão gostoso de se ler. A casa está aberta para que você possa voltar mais vezes, pois pelo visto é o que terei de fazer por aqui.

    Sobre o post, acredito que dentro de um mesmo corpo, existem inúmeras verdades. Mas as relatadas no texto não deixam de fazer parte de muitas delas. Dimensões diversas que por vezes confundem sonho e realidade. É interessante se pensar nisso tudo.

    Um abraço.


  6. Ana Says:

    Oi, Vicente,
    Passei por aqui como quem não quer nada e, simplesmente, fiquei fascinada pela sua escrita, uma união harmoniosa das palavras, uma poesia nas entrelinhas... Adorei!
    Também, às vezes, tento embrenhar-me no mundo mágico das palavras, quando tiver um tempinho... www.caisdesonhos.blogspot.com
    Abraço,
    Ana


  7. Escritos ferinos e sagazes. É assim como eu vejo seus textos. É assim como este que acabo de ler, leva meus pensamentos à mil, impondo uma solução para os meus problemas literários.

    Sexo e amor. Palavras com o significado diferente, mas dentro de um conjunto torna-se algo bonito, incrível e afetuoso.

    É, rapaz. Seu texto exprime o real.

    Grande abraço.

    =]


  8. Paula Says:

    É quase possível detectar a idade do personagem.
    Quem nunca passou por esta fase onde só nos sonhos há permissão para a ousadia invadir os poros?
    Volto, me senti muito bem aqui.
    T+


  9. O desejo esgueira-se felino pelas brechas do sonho, brinca com as cortinas e panos, para depois, quando acordarmos, encontrarmos o quarto desorganizado, sem saber o que aconteceu, e tentando arrumá-lo durante o dia. Assim parece ser a personagem, alguém que tenta arrumar o próprio quarto para um visitante que ainda não é bem vindo, em vez de ajeitar um lugar para ele, com um pires pequeno de leite e umas almofadas.

    Como disseram, você escreveu com uma harmonia poética, muito suave e fluente. Gostei desse texto. Agora estou com pouco tempo, mas vou voltar para ler os outros textos e conhecer melhor seu blog.

    Até mais.


  10. M. [doc] B. Says:

    Céus... Sua presença me envaidece!(:

    Ah, Natal é pertissímo do Recife mesmo. Amo amo amo amo de todo o coração sua cidade. Sempre estou por aí quando posso.
    Pode deixar que é uma obrigação minha te linkar. Parabéns pela qualidade! :D


  11. oi vicente,
    uma vez eu comentei em outro blog (não me lembro qual), dizendo que o texto do autor era sinestésico. Uso a mesma expressão para esse... muito bonito o seu estilo, a sua poesia discreta, suas palavras bem posicionadas. Vou linkar vc, blza?

    abraço.
    ah, obrigado pela visita. volte para sofismar mais,ok?


  12. M. [doc] B. Says:

    Um prazer fora do comum seria te encontrar! (:
    Como esse ano é ano de vestibular, acho que vai ficar um pouco mais dificil eu ir, mas se for certamente te digo.
    A ultima vez que fui aí foi no ano passado mais ou menos em Novembro pra um encontro de Motos que teve. Muito bom mesmo chovendo! :S


    :D


  13. Olá cara, vi teu blog no da Magaly.. e bem soube que a viagem por aqui valeria a pena. A descrição que você faz de um momento tão íntimo exige uma sensibilidade que não se adquire facilmente. Não é fácil mesclar a qualidade literária e algo tão verossímil quando se descreve o conjunto de sensações de alguém, sobretudo aquelas advindas de impulsos sexuais, impulsos esse que às vezes apresenta para nós mesmos um lado nosso que não conhecemos.

    Sobre o conjunto do blog, ainda tô conhecendo... mas é bom ver que é organizado, e é bom saber que somos conterrâneos.. me agrada saber que Natal também tem seus escritores-prodígios, ainda que perdidos por aí...

    E a liberdade, essa palavra.. é sempre bom lembrá-la e difundí-la, como conceito, inspiração e comportamento...

    Abraço, até a próxima!


  14. M. [doc] B. Says:

    Ah, tirei o códico de verificação em sua homenagem, viu? Realemente essa porcaria é uma porcaria não serve de nada, só pra perder tempo!
    Parabéns por ter passado no vestibular! (: Fico muito feliz quando vejo que alguém vai começar a fazer a diferença. Mas me conta, dia 18 ta pertinho e a partir daí eu vou poder dizer futuro _______. ????? Vai cursar o que?


  15. M. [doc] B. Says:

    Assim, vou logo direto ao ponto: detesto quimica, fisica e matemática; mas como me encontro em uma situação que não posso escolher o que gosto e sim estudar, acabo suportando essas matérias.
    Gosto mesmo é de Literatura, Português... :D
    Mas eu acho lindo Petroquimica, além de ser um curso que só tende a crescer. Principalmente aqui em Pernambuco com a nova Refinaria. Acho que você já deve ter ouvido falar, certo Dr. Petroquimico?
    :)


  16. Gabz Says:

    por muitas vezes nos constrangimos perante certos assuntos, sem saber como reagir a eles, porém, bem no fundo, saberiamos reagir totalmente àquela situação.
    o que a nossa boca não transmite em palavras, o nosso corpo demonstra em atos.


  17. Proibida Says:

    É... Saudade nem sempre é algo muito bom de se sentir, transmitindo ao invés de satisfação melancolia. Mas temos que aprender mesmo a conviver com ela porque é difícil não ter do que senti-la.

    E... Sigo bem nesse rumo? kkkkkkk Estou apenas de passagem... =P Melhor não ousar muito pra não ser incompreendida.

    Seu texto... Parece estar narrando a estória de uma freira. rsrsrs Muito interessante essa moça tímida se desinibir em sonhos... Quem sabe até ela acorde e se depare com a realidade de um deles... O que aconteceria com ela? *_*


  18. Então ela saia da conversa mais despudorada por vergonha do próprio tesão. Se trancafiava em casa e se entregava ao prazer solitário... entendi bem?

    É algo tão comum isso, tão comum que assusta. Não o prazer, mas a vergonha. É uma pena...

    Pelo menos ela se conhece, isso sim é bom.

    Beijo meu.


  19. [Monólogo]
    O que poderia dizer a Vicente? São tantas impressões boas e satisfatórias que me tiram o fôlego... E viajo! A ânsia me consome e meus olhos lambem as palavras com deleite, saciando momentaneamente meus lascivos desejos de arte[Prazer!!!]. Mas a abstinência volta nessa correria diária e novamente desperta meu vício artístico. E é por isso que volto aqui... É por isso que vou deixar de cerimônias!
    [Fim]

    [Inseguro. Mas...]
    Porra Vicente! Que texto massaaaa! Putz, tu é o cara msmo! Tô doido pra que tu tome logo teu assento na Academia Brasileira de Letras... Parabéns!


  20. Gabriela. Says:

    Que texto delicioso.

    hedonista mesmo, como disse a primeira moça.

    E instigante, e lindo, e calmo, explêndido!


  21. Belinha Says:

    Olá!!
    Adorei o seu texto, está maravilhoso.
    Agradeço a sua visita e seu comentário, volta sempre.
    Bjs.


  22. M. [doc] B. Says:

    Rapaz, eu acredito que lá terá sim uma biblioteca, mas se não tiver tu pod edar uma fujidinha na hora do almoço e ir pegar alguns livrinhos, certo Dr. Petroquimico Vicente Freitas?

    Só sei que esse Dr. Petroquimico me demonstra muita inteligencia e sabedoria em todas as aréas. Parabéns! (: Gostaria de ter esse gosto por todas as aréas...


    Aí, aí... Dr! :D


  23. Pequena Gi Says:

    Olá, Vicente...
    primeiramente, peço perdão pela visita tardia ao seu espaço. Como comentei em um post meu, estive com problemas na porcaria do meu teclado, mas nada q uns amigos do Paraguay não resolvessem...rs!

    Bem, vamos ao q interessa: teu post faz aguçar os cinco sentidos... o prazer desfrutado pela personagem é único, e mais sensacional é a forma deliciosa como vc escreve.
    Te linkei, viu, vale muito a pena passar por aqui. E virei mais vezes.
    Beijos, boa sorte!


  24. Pequena Gi Says:

    Ps: o prazer é meu... meu nome é Giselle... (rs)


  25. Não disse que era vergonha dela, mas do que sentia... do tesão. Bom, pelo menos você achou interessante minha pequena interpretação. Risos.

    Pode me adicionar no orkut, moço. À vontade. Se realmente quiser, claro. :)


  26. Luca Says:

    Atormentadoras são as lembranças mais incultas num corpo penando sobre o nada!


  27. Micas Says:

    Magnifico este texto. Gostei deste espaço e voltarei com toda a certeza.


  28. Marcela Says:

    Oi Vicente!
    Nossa, hoje vc arrancou suspiros.
    Foi lindo e intenso...
    To até meio bege, não sei o que dizer.. haha
    Um beijo!


  29. Qdo era menor, e muito tímido, passei por esse tipo de coisa. Isso é só com o tempo q a gente aprende que todos nos somos seres humanos feitos de carne e osso, e muitas vezes, é necessario se deixar levar pela onda perigosa mas sadia dos nossos instintos.

    Abçs

    Obrigado pelo comentário no meu blog. Adorei o seu, se permitir, posso linká-lo?

    ----------------------------------
    http://emlinhas.blogspot.com/

    EM LINHAS...
    Quando as palavras se tornam o nosso mais precioso divã.

    Novo texto: In Mode Disco Riscado
    ----------------------------------


  30. Pequena Gi Says:

    Vicente...
    chegar ao teu espaço foi muito bom e n me arrependi. Te indiquei para um premio... passa lá no meu blog para buscar seu selo.
    Bjos, e sucesso!


  31. menina lunar Says:

    Adorei o lirismo e a fantasia dessa viagem pelo universo dela. Lindo!
    Excelente blog.
    Beijoooooo


  32. Blz? Parabéns pela indicação. Ja te linkei ok?

    Abçs!!!!!


  33. Says:

    Seu blog é muito bom. Esse texto em especial. Escreve muito bem, sem demagogia.

    Obrigada pela visita ao meu blog e pelo elogio. Sinceramente, eu sou uma farsa, acredite...hehehe

    Vou linkar seu blog ao meu, tudo bem.

    beijo


  34. Queria eu que mais mulheres como a descrita estivessem disponíveis. Adoro essa singeleza, por não dizer inocência. E quem sabe alguma com todo esse turbilhão de sentimentos e pensamentos loucos, que daria muito certo comigo. Rs.

    Uma narrativa sem igual. E se já adoro narrativas por natureza, adoro muito mais as feitas com exímia habilidade. Parabéns, é um belo texto, como sempre.


  35. Mr. Ziggy Says:

    Essa auto-repressão é algo que muitas vezes nos corroi e algumas pessoas vítimas disso canalizam seus desejos em sonhos, fantasias, para de alguma forma se "saciarem", pois nós somos feitos de vontades, desejos, isso faz parte. Alguns vêem esses desejos, sexuais ou não, de forma natural, banal, casta ou sei lá o quê e, de acordo com a forma que conduzem esse olhar, acabam sendo vítimas de si mesmos.
    Seu texto me faz lembrar um livro que tive de ler pro vestibular da UFMG de 2004, mas não me lembro o nome. A história falava de uma mulher que era burguesa e era apaixonada por um guri, que só depois ela descobre que é seu irmão por parte de pai e tem uma frustração terrível. Depois, ela se muda de casa e passa a desejar loucamente um homem que trabalhava na pedreira, mas este era noivo. Ela se encontrava com ele nos sonhos e realizava todos os seus desejos, até que começou a confundir sonho com realidade. Daí ela mata, se não me engano, o empregado e a noiva dele envenenados.
    Enfim, apenas me lembrei disso. Acho que a mensagem desse livro tem um pouco a ver com seu texto, de que gostei muito. Voltarei mais vezes, tenha a certeza disso. Abraço!