Critical Watcher
Foto: Marc Romanelli
Parados estavam eles naquele banquinho da praça a admirar a velocidade com que aquelas pessoas caminhavam ali; não olhavam sequer ao lado, criando um submundo voltado pra sua própria realidade.

Entreolharam-se por um milésimo de segundo, mas preferiram manter o silêncio. Pareciam estar presos em sua própria realidade, já não havia mais ruído, já não havia mais pessoas. Só restavam pensamentos.

E mesmo diante daquele grau de contato íntimo com o seu próprio eu, cada um deles fazia dos olhares que sobrevinham uma forma de encontrar o caminho do outro. E a taciturnidade ainda reinava naqueles gestos tão delicados.

Qual será o melhor caminho a seguir? Perguntavam-se.
As dúvidas pareciam gritar em suas cabeças e ao mesmo tempo, o coração palpitava cada vez mais rápido, cada vez mais confuso.


A verdade é que eles dois tinham muitos pensamentos em comum, mas de que adiantava? O medo sempre se tornava vilão da situação e apoderava-se de qualquer tentativa de fuga ou subterfúgio. No entanto, a força dos dois veio à tona. Encararam suas dúvidas e receios com o coração valente e aberto.

Não havia mais tempo para procrastinar. Era tarde e o tempo parecia passar cada vez mais rápido. Em medidas assustadoras, eles viram suas vidas passarem em um segundo. Será que tinha valido a pena? Era hora de seguir em frente.

Ele deu sua mão pra ela, fazendo-a segurar fortemente. Ela, sorrindo, apertou ainda com mais força. Não falaram nada e, olhando para o horizonte, começaram a correr sem descanso. Nada fazia mais sentido parar ali. Incansavelmente, por dias e noites, estavam os dois contornando a mecânica falha de seus corpos.

E entre tantas pessoas que antes ali estavam, entre tantos bancos, tantas praças, eles se encontraram. Estranhos e unidos, somente pela vida.
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Ps.: E em meio a uma conversa de msn... A imaginação rola solta. Esse post tem participação especial de Monick Vasconcelos. Obrigado, menina linda! Acho que nossos pensamentos colaram. Beijos!
15 Responses
  1. [P] Says:

    "E entre tantas pessoas que antes ali estavam, entre tantos bancos, tantas praças, eles se encontraram. Estranhos e unidos, somente pela vida". Que bonito isso, Vicente!

    =*


  2. "E mesmo diante daquele grau de contato íntimo com o seu próprio eu, cada um deles fazia dos olhares que sobrevinham uma forma de encontrar o caminho do outro."

    Achei a parte mais bonita do texto!

    Beijos.


  3. que lindo...
    "e no meio de tanta gente eu encontrei vc.."

    ;*


  4. "Qual será o melhor caminho a seguir? Perguntavam-se. As dúvidas pareciam gritar em suas cabeças e ao mesmo tempo, o coração palpitava cada vez mais rápido, cada vez mais confuso."

    Esse post mecheu comigo. Não vou mentir. Quase chorei. Tenho os meus motivos.

    Abraços! E obrigado pelo comentário no post sobre a biblioteca, Critical!


  5. E então garoto. Andei meio ausente do meu próprio blog e só hoje, quando atualizei-o vi seu post.
    É como você disse, quase sempre estamos de partida, seja tarde e junto de alguém, ou seja sozinho mas agarrado a todos os seus sonhos e expectativas.

    Deixar as lembranças...? Sou péssimo nisso... quem dera eu soubesse abandoná-las tão fácil quanto um sopro transforma uma rocha em uma duna.

    Forte abraço!
    Acho que manteremos ocntato por aqui!!! Topa?


  6. Fê Probst Says:

    Até mesmo dúvidas e medos em comum. Encontra-se dentro de outro corpo, é mais do que bom. É reconfortante.


  7. Ana Says:

    Amor, coragem, luta...essa é a vida!
    Muito bom, Renato!
    Beijo!


  8. Ana Says:

    Desculpa, Vicente!!!!!
    Tinha acabado de sair do blog do Renato!
    Perdo-me, por favor!!!
    Vou tentar excluir aquele e corrigir...
    Beijo!


  9. Ana Says:

    Amor, coragem, luta...essa é a vida!
    Muito bom, Vicente!
    Beijo!

    PS Devidamente corrigido!
    Não sei excluir pelo meu blog, por favor, exclua para mim...
    Desculpa outra vez...


  10. Blau Says:

    de boca aberta;

    o melhor de todos :}


  11. Belo texto.
    Ao inves de ficar questionando caminhos a serem seguidos, juntos ou nao, o melhor mesmo é se dar as maõs e sair por ai. Geralmente isso ocorre quando, num certo momento, as palavras não são mais suficientes para expor o que realmente deve ser feito.

    Abçs!!!

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    http://emlinhas.blogspot.com/

    EM LINHAS...
    Quando as palavras se tornam o nosso mais precioso divã.

    Novo texto: Política: O Melhor Partido
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  12. Eles se entendem mais que eu a mim mesmo. Nem sei se invejo ou se condeno. Voltarei então para algum lugar em busca da inspiração que começou por aqui.
    Abraço


  13. nj.marabuto Says:

    gostei muito daqui. textos bem escritos e de um conteúdo poético de natureza instigantemente bela, que nos convida a voltar mais vezes. vi que me visitaste no meu antigo blog, o "nada reticente". o convido a visitar-me no atual, o "ren'ai tsunami".
    (http://njmarabuto.blogspot.com/).

    abraço!
    n.


  14. Msn pode ser um bom aliado do Escritor, não?

    Gostei da fórmula, tempo, vida, espaço!
    Seria ssim com todas as pessoas ? Quando estão a espera de que alguém segure sua mão e corra para o infinitos....


    Beijos(me perdoe a ausência:)