
“Na chuva tão densa que cai qual cortina,
Que embaça a vista e turva o olhar.”
(Salete Gurgel)
Insistente e cheia de novidades para propor.
Vem com vontade, com aquela voz insuportavelmente agradável.
Diz coisas belas, promete-me que veio para matar a sede e purificar o pecado.
Acaricia minha janela e diz que precisa me falar.
Convenço-a de que é melhor conversarmos lá fora.
E ela aceita.
A seita: um ritual que me faz perder o controle e cair sobre aquelas gotas de prazer.
Enrosca seu corpo por todo o meu. Faz carinho nos meus cabelos molhados.
E não perde a voz. Ressoa. Segura. Vocifera.
Meu corpo está como veio ao mundo. Roupas transparentes.
E ela terrivelmente sensual. Toca-me por completo, molha meus pés e beija-me sem luto.
Água que escorre pela boca e entrelaça minha saliva.
Chuva que bate aqui sem comiseração.
Afoga-me.
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