Critical Watcher

Hoje me peguei sentindo você em meus braços

Senti a sede que havia em tua boca

A felicidade que seu palpitar denunciava


Hoje me peguei te querendo mais

Sentindo tuas unhas arranharem minhas costas

Sentindo o prazer que tuas formas exalavam


Hoje me peguei cheirando o seu corpo

Arrancando tuas roupas

Atiçando os nossos sexos


Hoje eu me peguei apaixonado

Amando descontroladamente

Sentindo-me dentro de ti


Hoje eu me peguei sem controle

Sentindo a segurança de seus afagos

Sob os panos daquele quarto


Hoje eu senti que te tenho pra sempre

Que nada vai nos separar

Que o nosso amor não pára


Hoje meus olhos brilhavam

Meu medo esvaía

Meu amor transpassava

E eu mais te queria


Hoje, amanhã e sempre.

Uma longa estrada pra se viver...


[Infinita Highway!]

Critical Watcher

Há cerca de cinco bilhões de anos, o meio ambiente esteve protegido da exploração humana. Com o passar de 100 mil anos foi percebida a notável desestruturação e derrocada da “harmonia” antes existente. É fácil perceber isso quando pensamos no período de chegada dos portugueses ao Brasil. Nesse tempo, os índios usufruíam construtivamente do meio em que viviam, não destruindo dessa forma a base de suas vidas: a natureza. Em contraponto, os europeus, buscando o acúmulo de suas riquezas, destruíram abruptamente os nossos recursos naturais, acreditando, talvez, que seriam infindáveis.

A necessidade de mudança e de uma nova maneira de agir com relação aos problemas que o mundo vem enfrentando explicita-nos a idéia de que precisamos urgentemente de uma nova ética planetária: O ethos mundial. Essa postura é na verdade um consenso no qual idéias viáveis já existentes são discutidas e apontadas como soluções para a problemática terrestre. O futuro de nossos descendentes, portanto, está em nossas mãos e, o tempo para que possamos pensar sobre tais questões já está se esgotando. A avançada crise em que vivemos choca-se intensamente sobre nossas costas e, ao mesmo passo, cresce em nível cada vez mais acelerado. Como resposta a isso, a nossa adaptação ao ambiente terrestre está cada vez mais difícil.

As práticas econômicas anteriores ao capitalismo não geravam a degradação absurda e o estoque de alimentos hoje existente. Já existem algumas empresas desenvolvendo projetos na área ecológica que minimizam consideravelmente esses danos. No entanto, o capitalismo, em grande parte, não adota práticas ecologicamente corretas e não há estímulos para projetos de proteção ambiental. Os problemas da expansão capitalista, até então pouco observados, vêm tornando-se cada vez mais alarmantes.

O desenvolvimento industrial, por exemplo, propiciou-nos a mecanização e a robótica, fator este que trouxe à tona riqueza e desenvolvimento. Entretanto, se visto por outro lado, fez surgir consideráveis diferenças entre os grupos sociais, o que acarreta a má distribuição das riquezas e a desigualdade. Outro problema que emerge, é em relação às práticas absurdas lançadas sobre o meio ambiente. O homem vem cada vez mais se apoderando da biosfera, sem tomar consciência dos danos que produz: o desflorestamento, o efeito estufa, as queimadas, a poluição do ar e das águas, entre outros. As formas de trabalho, antes baseadas no esforço humano, vêm instituídas cada vez mais da maquinaria, diminuindo dessa forma, a área de participação do homem nesses setores. Isso gerou a crise do trabalho, e consequentemente o aumento do número de desempregados. Para Ricardo Antunes, professor do Departamento de Sociologia da UNICAMP, "depois da década de 1970, o mundo do trabalho vivenciou uma situação fortemente crítica, talvez a maior desde o nascimento da classe trabalhadora e do próprio movimento operário inglês."

O propósito das teorias sustentáveis encaixa-se precisamente num contexto de análise e restauração do âmbito sócio-ambiental. De forma geral, é um processo político-participativo que integra as sustentabilidades econômica, ambiental e cultural, tendo em vista o alcance e a manutenção da qualidade de vida. Conscientizar o mundo de algo tão importante, como o fenômeno das crises ambientais, é algo de fundamental importância, ao mesmo passo que se torna tarefa árdua e tema de discussões polêmicas. O aprofundamento dessa questão permite-nos dizer que o meio-ambiente não é apenas algo a ser pensado hoje; é também uma associação de conjuntos e inter-relações que propiciam a vida futura.

Será, então, que seremos a última geração a existir? Até quando a Terra suportará demasiada pressão? O que podemos fazer para reverter, ou pelo menos, reduzir, o insustentável?

Em meio à desestruturada política de globalização, multidões de pessoas já estão morrendo de fome, por falta de condições necessárias à sua sobrevivência. Vivemos num universo, onde todos nós somos cúmplices e vítimas das nossas ações e, se não pararmos para observar as causas dessa “modernidade”, a ocorrência de seus efeitos perdurará às nações futuras. Faz-se necessário rever a direção da humanidade, no momento em que sua continuidade se vê ameaçada, principalmente, pelo crescimento da violência generalizada contra nosso habitat.

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Meus indicados para os selos acima são:

Fragmentos de Jô.

Marta entre parênteses.

Devaneios & Loucuras.

Segundas intenções.

Ma Passion Rouge.


Critical Watcher
"Depois de ter você...
Pra que querer saber que horas são?
Se é noite ou faz calor. Se estamos no verão.
Se o sol virá ou não.
Ou pra que é que serve uma canção como essa?
Depois de ter você...
Poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas?
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas?
Depois de ter você..."
(Cantada - Composição: Adriana Calcanhoto)

Nunca haverá palavras capazes de suplantar o valor de uma canção que nos marcou. Ela pode ir além do que podemos imaginar e sentir... A música é uma representação artística da alma e não apenas existe porque assim lhe é predestinado. Ao contrário. Ela só acontece quando a sincronia alma-corpo-mente está em equilíbrio; quando a sensibilidade de nosso eu-lírico aflora e lança no ar o perfume que nos arrepia...
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Recebi um outro selo da menina linda Jaya. Fiquei muito feliz por essa indicação, pois o "Deixa eu brincar de ser Feliz?" é um dos espaços que mais respeito. Vale a pena visitar! Muito obrigado!


Os indicados virão em breve.
Critical Watcher

Ele foi ao banheiro com o intuito de tirar todo o peso que o dia lhe propiciara. Despiu-se rapidamente defronte aquele espelho ameaçador, que parecia querer dizer algo. E ficou minutos ali parado, observando a sua imagem estática. Parecia estar em um sono hibernal, pois nem mesmo o telefone que tocava lá fora desprendia sua atenção.

O seu reflexo, ainda que imutável, deixava transparecer que existia um outro ser por trás daquela superfície lisa e polida. Os minutos pareciam correr e ele já não mais sentia o seu corpo; estava como que em hipnose, na mais pura leveza espiritual. Uma hora já se passara e nenhuma inconstância estava ocorrendo. O único ponto material que causava perturbações naquele ambiente era o telefone que não parava de tocar. No entanto, para ele, de nada adiantava aquele som. Ele nem mesmo o ouvia.

Seu coração batia levemente e sua respiração estava tranqüila. Já seus braços estavam rigidamente parados, denunciando uma liberdade extraordinária. Sua aparência era serena e encantadora, iludindo quaisquer espectadores que ali fossem colocados. No entanto, algo estava completamente fora do normal: sua pupila dilatada e em fase de ressecamento denunciava o perigo que havia por trás de toda aquela situação. Ele já não mais enxergava nada, mas a sua imagem ainda estava suspensa em sua imaginação. Começou a sentir uma dor intensa por todo o corpo, explicada talvez pela sinergia de seus órgãos, que tentavam a todo custo acordá-lo daquele estado de transe.

Numerosos comandos eram enviados pelo Sistema Nervoso Central até as articulações daquele ser, que incrivelmente não respondia a nenhuma dessas tentativas. O seu sangue já não mais circulava por todo o corpo e seus pés estavam roxos e inchados. Sua temperatura chegava aos 39,5°C, subindo rapidamente a cada segundo que era contado. Após 2h e 11 minutos, seu corpo desabou sobre aquele chão gélido de seu banheiro. O choque lhe propiciara uma fratura no crânio de sangramentos intensos, e não havia ninguém naquela casa que pudesse socorrê-lo.

O telefone continuava a tocar incessantemente, até que a pessoa que estava na outra linha decide deixar a mensagem na secretaria eletrônica: - Amor, acorde! Precisamos conversar o quanto antes. Já são 10h da manhã e você ainda dormindo! Olha, os preparativos de nosso casamento já foram aprontados e os convites estão quase prontos para serem enviados aos nossos parentes e amigos. Só falta irmos até a Igreja para falar com o padre e marcarmos o dia... Estou à sua espera. Um beijo, te amo!

[O homem desperta-se, com o som de sua noiva ao telefone, daquele pesadelo terrível e sai correndo em direção ao banheiro. Ainda precisava tomar um banho e ir ao encontro de sua amada. Olhando para o espelho, faz ar de riso e sozinho diz: - Meu Deus, quanta bobagem!]

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Olá meus amigos blogueiros. Recebi dois novos selos do Filipe, dono do espaço "O mundo de sofisma". Esse rapaz, um excelente escritor, tem habilidades indescrítiveis no quesito sensibilidade... Já sou fã do mesmo. Visitem-no.










E aqui indico os 5 blogs que mais visito e que não possuem os selos acima:

Quintal de Cores
, da Juliana Caribé.
Segundas Intenções, d[A bem intencionada].
Uniproibida, da A.C.
Sede Devaneios, da Pequena Gi.
Imaginação de um Nobre, do Epígono.

Obrigado pelos selos, Filipe.
Parabéns a todos.
Critical Watcher
Eu não sei falar, sorrir, gritar ou ouvir...

Não sei como estou, quem sou ou pra onde vou.


O que fazer, como entender, estremecer...

Acarinhar, vou suplicar: eu quero amar.

E esquecer, enternecer, aparecer...


Suprimir ou deixar-me cair?

Carcereiro medieval.

Eu quero sumir, mentir, redimir...


Ajudar, profanar e definhar.

Prazer, descrer, enobrecer...

Um dia hão de ser!


E se eu pudesse largar

Ou ao menos fingir

Se eu pudesse cantar

O que em mim quer sair...


[Ar, er, ir... Deixem-me partir!]

Ouvindo: A day without rain, Enya.
Critical Watcher
Por mais uma vez, abro um post sobre os prêmios que recebo. Dessa vez, de forma honrosa, recebo da Pequena Gi o selo "É um blog muito bom sim senhora!". Com uma linguagem bem sutil e aconchegante, a Gi consegue encantar os seus leitores. Além disso, podemos encontrar em seu blog citações e textos que marcaram a história de grandes escritores e compositores da MPB. Vale a pena conferir. Visitem-na.


E agora, indico os meus 5 merecedores:

Brincando de Felicidade, da Jaya. Lá podemos desfrutar de um verdadeiro mundo mágico. As palavras e seus arranjos nos dão a sensação legítima de alegria, paz e diversão.

Ma passion rouge, da Gabriela. Para aqueles que estão em busca de textos mais quentes e de ambientes onde o amor e a sedução transpassam os limites da leitura.

Quintal de Cores, da Juliana Caribé. É uma verdadeira união de cores e sentimentos. A Juliana, além de ser dotada de uma escrita sublime, também é fotógrafa, o que deixa o seu ambiente ainda mais cabal.

Fragmentos de Jô, da própria. Eu não poderia deixar de indicá-la. Sou um apaixonado por seus textos... Além de ser ousada e sem juízo, é capaz de devanear com a mais pura beleza.

Devaneios & Loucuras, da Bárbara. Indescritível, estonteante, esplêndido. O seu blog nos direciona a diversos aspectos da vida quotidiana, de forma arrojada e agradável.

Parabéns a todos.
Critical Watcher
Foto: Carlos Manuel Pereira

Ela parecia ser tímida diante de situações que envolviam sexualidade. Sempre reagiu com desarmonia quando o tema daquela roda de amigos era sobre os prazeres que o amor carnal podia ostentar. E ela fugia, deixando transparecer a todos o sentido que o constrangimento e a repulsa lhes causavam. Lançava-se naquele canto escuro de seu quarto a chorar por noites a fio. Alguns zombavam com palavras severas; outros tentavam entendê-la.

Dentro daquelas quatro paredes de seu refúgio, a escuridão era o seu único guia, capaz de ouvir aquele pranto incessante e doloroso. O silêncio, por sua vez, manipulava o tempo, transformando os segundos em horas e os minutos em dias. Naquele chão frio e liso ela estirava todo o seu corpo, na tentativa, talvez, de encontrar uma postura que lhe agradasse... Inútil.

Sua pele clara e limpa desenhava a fragilidade que estava implícita naquelas poucas melaninas. Muitas coisas misturavam-se naquela mente cheia de dúvidas, receios e imposições. Havia algo que a manipulava completamente... Algo que fazia as noites serem mais viris e os dias nublados de solidão.

Ela guardava desejos que nem mesmo conseguia entender, e forjava-os no seu íntimo para que ninguém ousasse arrancá-los. Tudo era muito confuso. O seu corpo retraía-se quando sua alma avançava. O plano físico e o espiritual estavam lidando com constantes choques internos...

Tentava esquecer aqueles pensamentos loucos e só os permitia quando em sonho. Lá tudo era possível e, não mais, havia inibições que lhe maltratassem. O suor escorria por seu corpo como resposta àquela união de bocas, mãos e toques. A ousadia, que nunca lhe fora útil, lançava em seu corpo esguio as posições mais banais. Ali eram permitidos os beijos mais quentes e os afagos mais indiscretos. O pudor já não mais excluía o desejo, pois ambos alimentavam-se do prazer.

Critical Watcher
Primeiro dia do mês e lá estão todas aquelas pessoas nas ruas, praias e afins.

A batucada é ouvida em alto e bom som, onde o gozo é libertado e os movimentos lascivos são parte integrante de toda uma festividade típica de nosso país.

A tradição e a cultura carnavalesca ganha seu espaço, transmitindo aos corações do povo a energia necessária para bater sem cessar.

Os corpos colados – numa só forma e em ressonância - parecem vibrar de acordo com os decibéis que ali são reproduzidos. A freqüência e a mobilidade daquelas verdadeiras máquinas impressionam os “não-brasileiros”, que, por sinal, buscam em nossas terras os delírios do paraíso que não lhes foram agradáveis em suas raízes.

É o momento de fazer objeção ao pudor e à continência. O tempo exato para abster-se das moderações do ímpeto, da agitação das almas.

Tudo pode.
Pode tudo.
O poder é tudo.
E o tudo é poder.

[Lá estou eu à espreita, apenas observando a "vida" sobrevir.]

Critical Watcher

Você nem me chamava tanto à atenção. Não era aquela pessoa que eu poderia dizer que amava – se bem que sempre achei duvidoso o modo como esse sentimento reagia em cada um. Parecia ser completamente diferente de mim, cheia de defeitos que eu não admitia. Acho que por esse motivo nossa relação foi esfriando cada vez mais... Eu não me sentia bem dizendo todas aquelas verdades tristes face a face, mas elas eram necessárias; eu precisava dizer que já não suportava as suas cobranças. Eu precisava abrir seus olhos e gritar: - Acabou!

E assim aconteceu.

Desligamo-nos um do outro. Ou melhor, desliguei-me de você. As más ou boas línguas estavam sempre a me perturbar com aqueles comentários sobre a situação lamentável em que você estava. Perdera dias de sono, prometera suicídio, estava emagrecendo descontroladamente. Para mim, aquilo tudo não passava de uma depressão boba de uma jovem desencantada.

“O que eu posso fazer? Não há volta. Eu não te amo mais. Eu não sinto absolutamente nada quando estou ao seu lado”, era a minha resposta mais constante.

Meu pensamento não mudara, até que, após 15 dias do término, percebi algo. Ninguém mais falava sobre você. Não sei se a falta de tempo e a correria do dia-a-dia estavam relacionados a esta abstinência. De fato, algo passou a me incomodar.

Os dias passavam e nada de você.

Quando eu tentava dormir, lembrava-me dos momentos felizes em que você sorria e demonstrava alegria por estar comigo. Eram raros de minha parte, mas também existiam. O engraçado é que você sempre fora feliz por namorar comigo, mas eu não! Eu não era feliz. E, desde então, passei a duvidar se o problema estava em mim.

[Meses correram e a sua ausência insistia.]

“Quer saber? Vou procurá-la amanhã mesmo”, pensara eu.

Rondei todos os bairros. Perguntei a amigos de seus familiares sobre o seu paradeiro. Não ousaria perguntar diretamente a eles. Havia rancor em seus olhares. Isso era claro.

Nossos amigos em comum desapareceram também; desligavam o telefone sem nem ouvir o que eu tinha a dizer. Me sentia só. Você me fazia falta.

E fui embora, alimentando a verdade que aquela grande decepção me causara. Me senti ilhado, abandonado por tudo e todos.

[Ao chegar ao meu condomínio, passando pela guarita, recebo do vigia uma espécie de bilhete. Mas não parecia ser um. Possuía um tamanho um pouco maior do que o convencional. Era bem perfumado e tinha letras quase ilegíveis.]

“Não sei o porquê de estar mais uma vez escrevendo algo pra você. Por dias, tentei fazer o que me pedira: abandonar tudo que vivemos. Não foi fácil. Algumas coisas pareceram ainda porfiar em moer minha mente. Primeiro beijo, o pedido de namoro, a nossa primeira vez. Tudo teve um toque muito especial. Lembra-se daquela noite que fomos dormir juntinhos na praia de Bom Jesus e que quase não conseguimos devido ao frio e às gargalhadas involuntárias que saíam de nossas bocas? Foi uma das minhas recordações mais dolorosas. É, isso me faz uma falta imensurável. Mas é saudável, acredite.”

[Nesse momento, sem esperar, tive raiva de mim mesmo. Minha alma deixava cair sob meus olhos a lágrima mais dolorosa de todas.]

[Continuo a ler.]

“Nesse momento você deve estar se questionando onde e como estou. Não vou responder nenhuma delas, digo-lhes de antemão. Mas a verdade é que a distância me fez rever os sentimentos que em mim habitavam. Não se assuste! Os verbos realmente ficarão no pretérito. Eles não têm mais sentido, se usados no presente. Descobri que a sua injúria perante minha imagem foi mais forte que eu [a do passado]. Só tenho a agradecer, pois sou uma nova mulher. Sou muito grata aos céus por você ter existido e rezo todos os dias para que você também encontre o seu caminho. O meu já está sendo trilhado. Um forte abraço da menina que ERA frágil.”

(Um dia aprendi que não havia formas de sedução mais surpreendentes que a própria sinceridade. Ela era capaz de mover as ditas montanhas. E, nem mesmo assim, você conseguiu me fazer mudar de opinião. É hora do meu adeus.)

FIM.

Critical Watcher
Estava eu a passear pelos meus blogs favoritos; desvencilhando novos textos, imaginando novas situações... Até que algo "literalmente" inesperado surge: recebi uma premiação dupla de dois blogueiros, ou seja, uma indicação do prêmio de "Este blog vale a pena conferir".



E como manda a tradição, preciso indicar novos 5 merecedores. Então aqui está:

Uniproibida http://uniproibida.blogspot.com/
Fragmentos de Jô http://www.fragmentosdejo.blogspot.com/
Segundas Intenções http://segundas-intencoes.blogspot.com/
Ma Passion Rouge http://mapassionrouge.blogspot.com/
Para ler sem olhar http://paralersemolhar.blogspot.com/

Parabéns a todos. Vocês são minha preferência.
Critical Watcher

[Sala de bate-papo]


Ali estavam os dois seres inquietos a conversar algo que nunca lhes viera na mente... Uma noite marcada por respostas e receios; perguntas e descobertas.


- Estou mais romântico que nunca, dizia ele.

- Eu sempre fui assim – retrucou aquela menina cheia de sonhos e pensamentos amorosos.

- Você sabe o que é amor?

- Existem muitos, mas você refere-se àquele amor?

- Sim, o carnal.

- Eu nunca amei ninguém. Mas tenho uma definição bem minha do que ele representa.

- Como assim? [“Vamos ver se ela sabe realmente do que estamos falando”, pensou ele...]

- Talvez pelo fato de eu nunca ter amado, eu crie em minha mente inúmeras faces. Idealizações, por assim dizer.

- Desmascare-as.

- O amor é algo romântico, que faz parar o tempo. É uma mistura de sentimentos complexos... Algo sério e eterno, recheado de cumplicidade e afeição pelo outro.

- E o que você espera da pessoa amada?

- Não sou do tipo “eu amo sem esperar que você me ame”. Eu quero sentir a reciprocidade. Quero experimentar o estado de idiotice dos meus sentimentos. Quero cada vez mais delirar num romance sem fim, sentir-me única nas mãos dele.

- Acredita em príncipes?

- Com toda a certeza. Sei que existe um alguém perfeito pra minha vida.


(Pausa)


[O homem parou por um tempo pra pensar. Era tão estranho, naquela visão machista que tinha, acreditar que alguém ainda pudesse divinizar algo tão cheio de medos e complicações. Não! Pra ele aquilo tudo não passava de uma conversa fajuta. No entanto, resolveu ir mais adiante. Descobrir se o que ele pensava acreditar era realmente o certo. E o fez...]


- Mas quanto a mim? Como achas que sou sentimentalmente?

- Você não foi estimulado - respondeu com segurança aquela jovem garota.

- Hã? Como assim? Em que aspecto?

- Ninguém nunca despertou em você algo forte.


(Nova pausa. Dessa vez, um tanto quanto mais rápida que a anterior. A dúvida o consumia. A incerteza beirava por entre a inércia que o enternecia. O silêncio e a voz daquela menina mudavam o rumo de seus pensamentos. Algo pôs fim ao sossego de suas imaginações...)


- Por debaixo dessa roupa vive um romântico inveterado.

- É engraçado o modo como você fala de mim. Parece existir convicção em suas palavras. Ressuscita em você uma mulher madura, algo que nunca vi em nenhuma outra pessoa de sua idade.

- Obrigada, é muito bom ouvir isso.


(Os dois não sabiam mais o que falar. Ela parecia envergonhada diante daquelas palavras. Ele, por sentir que descobrira algo que nem mesmo a maturidade do tempo lhe propiciara...)

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[Às 21:50h, ele olha pro relógio e não pensa três vezes. Veste uma roupa, banha-se no perfume francês mais caro que possuía e sai quase que sem rumo. De tudo só havia uma certeza: aquela noite mudaria sua vida...]


Critical Watcher

A pergunta mais rápida que me veio à mente foi: - Por que não poderia ser eu quem deveria estar ali naquela imagem?

[Vácuo...]

É incrível como quase sempre me vejo numa situação como essa. E o problema maior são as transformações físico-mentais que me abordam tão perversamente. Não sei como poderia tudo isso acontecer, pois eu vi o amor em suas palavras, e hoje me sinto completamente inocente. Havia uma veracidade em tudo que envolvia nossos sentimentos. Por um lado, eu estava mais crescido e com mais experiência. Do outro, estava você – uma flor que começava a desabrochar. Era tão bom poder sentir as fragrâncias de suas pétalas e poder experimentar o brilho de seu sorriso iluminando meus olhos. Conversávamos todos os dias, trocávamos conselhos, discutíamos sobre arte, música e viagens. Mas tudo era impalpável, inacessível. Eram apenas conversas de jovens flores que começavam a se conhecer. Ouvi, por vezes, você dizer que me amava, que me queria por perto e que esperava a minha vinda. Os dias passavam e a esperança de nosso encontro carnal aumentava a cada novo raio de luz que a manhã emitia. Sua personalidade? Insólita, admirável. Florescia, dentro de mim, o amor que eu sempre busquei. A paixão mais rara de todas as paixões. O refúgio dos meus problemas. E falar isso pra você não era fácil, afinal o beija-flor mensageiro já estava cansado de tantos recados que nos enviávamos. Nunca pude chegar bem perto de você e, olhando nos seus olhos, dizer: - Promete que me ama pra sempre? [...] Sim, havia, antes de tudo, o medo. Ele era a causa das minhas possíveis falhas de comunicação. Abstive-me de coisas que não poderiam ser trancafiadas a sete chaves. Mas, enfim, o grande dia chegou... Tentei livrar-me de todas as raízes que me prendiam ao chão, permitindo-me o vôo tão apetecido. O vento daquela tarde, único capaz de me propiciar a ida de meu jardim ao seu, estava chegando. Precisei esperar meses por ele; deixei minhas pétalas crescerem como asas. Isso me ajudaria a ter mais equilíbrio pra cair bem próximo de você. Logo, então, me surgiram alguns problemas. Uma de minhas raízes me segurava fortemente ao solo. Ela não permitia a minha partida, e garantiu-me que morreria, caso eu a abandonasse. Ainda gritei pelo seu nome, tentando mesmo assim partir pra onde você estava. Não houve soluções. O vento foi-se sem mim. Eu não sabia mais o que fazer. Escapava, perante todas as plantas que ali estavam, tudo o que eu mais queria pra minha vida. Escapava nosso sonho, nossa união.
Critical Watcher

Sensação louca de te sentir.

De tocar teus lábios com os meus.

De beijar-te profundamente.

De correr de mãos dadas numa simples manhã.

Que condição imoderada.

Que paixão avassaladora.

Que preciosidade incomum.

Risos paralelos.

Sentidos à flor da pele.

Frio, calor, emoção, prazer.

Fusão de impressões quase indescritíveis.

Um fluxo que vai e vem.

Amplexo.

Amor!
Critical Watcher

Eu tinha você sob meu domínio. O que eu sentia não passava de um desejo carnal, de uma cobiça. Esperava encontrar apenas um alguém que pudesse me fazer sentir prazer em desperdiçar tempo, andando sem rumo num caminho infinito e apreciável. Isso não era pedir demais – muito menos uma intrínseca necessidade a ser concretizada. A leveza de minha alma não transformava meus anseios em dúvida e desespero. Ao contrário. Aquele estado de insulamento confiava aos meus atos mais força e serenidade. O vento parecia acariciar-me, contribuindo significativamente à felicidade de meu eu. A natureza, por sua vez, persuadia-me com palavras meigas e sedutoras. Eu estava na mais completa embriaguez psicológica. Nada conseguia transtornar a flexibilidade de meus sentidos, até que o momento inesperado surge. Como em uma forte tempestade, eu perdi toda a segurança que conquistara durante anos. O fracasso sobrepôs-se à minha fiel paz interior, traduzindo-se na destruição completa de meu conceito de vida. Queria estar com você, desafiando o futuro e as minhas próprias imposições. E eu não conseguia me entender, pois todos os meus princípios estavam sendo desobedecidos pelas minhas próprias mãos. A razão, minha única aliada, enfurecidamente tentava ensurdecer e cegar minhas emoções. Nas noites que seguiam, a solidão sempre estava a bater na minha porta. Ameaçadora e destrutiva, seu silêncio era capaz de me fazer trepidar descontroladamente. E quanto a você? Ah, isso era o que mais me incomodava. Nenhuma reação de reciprocidade visível; ficou inerte, como se tudo que eu sentia não tivesse valor algum diante do que você buscava. Demonstrava, mesmo sem intenção alguma de me prejudicar, a sua indiferença. Eu passava semanas planejando situações que possibilitassem nossa aproximação, para que eu pudesse pôr fim à ausência que você me causava. De nada adiantava. Sentia-me como um pássaro atingido durante um vôo: sem mobilidade, indefeso e sem perspectivas futuras. Eu tinha a certeza de que havia uma conspiração contra nós dois. Havia algo que não se conformava com a nossa união. Sim, havia. Décadas passaram, felicidades foram esquecidas, sorrisos extintos. Muitas coisas aconteceram, mas a mais nociva delas foi a sua partida. Não sei por onde você anda; perdemos inteiramente o nosso contato. Ninguém nunca conseguiu entender a sua decisão de fugir de tudo e todos. Uns dizem que você silenciava um amor impossível. Outros, que você sofria por não conseguir entregar-se a ninguém. Não posso dizer que consegui expurgar o sentimento nostálgico que você ainda me causa. Acho que, finalmente, sou capaz de entender o drama que você vivia – talvez até pior que o meu. Você nunca teve a certeza que eu te amava. Nunca lhe disse isso. Logo que nos conhecemos, recordo-me bem, consegui ver o brilho que havia em seus olhos ao me encontrar. E não valorizei as suas demonstrações constantes de amor por mim, pois naquele momento eu me sentia feliz sozinho, sem ninguém ao meu lado. Nossos tempos não se encontraram. Nossos sentimentos surgiram em épocas distintas. A tristeza que hoje me deprecia é o fato de saber que eu contribuí significativamente para a sua perda. E mesmo amando-me, você preocupou-se em não ceder a um romance incerto; em não acreditar na minha paixão, que surgiu tão inesperadamente. Fugir de mim era a saída para aliviar esse amor que tanto você escondia. Quero poder voltar no tempo. Quero gritar para que você escute, onde quer que esteja, a minha súplica por sua volta. Nos meus sonhos, ainda que imaterialmente, sempre nos reencontramos e vivenciamos o amor que a realidade não nos permitiu viver... - Será que com você também é assim? [Mais uma vez a taciturnidade volta a reinar...]
Critical Watcher

Tic Tac...

Tic Tac Tic Tac Tic Tac...

O relógio não pára.

Eu só consigo ver horas e minutos, que passam por mim numa louca velocidade.

Passam como se não quisessem me dar tempo pra pensar. Como se eu houvesse perdido aquele amigo de longas jornadas.

Tic Tac...

- Por que você insiste nesse martírio?

- Onde foram parar as minhas asas?

Minutos ganham força a cada novo segundo...

E as horas são mais destruidoras que os tormentos da neblina dessa triste manhã.

Ah, náufrago do tempo.

Como sinto saudades de você!

Me abandonaste, sem sequer um adeus.

Tic Tac... Tic Tac... Tic Tac...

E tudo vai correndo.

Se esvai entre minhas mãos a fé que eu lhe dei.

Não ouço mais sua voz, a não ser o triste eco que entorpece meus movimentos...

Fica aqui o nosso adeus. Fui desamparado por aquele que guiava meus passos. Aflige-me a sua ausência.

Tic Tac.

Tic Tac.

Tic Tic Tic Tun Tuun Tuuuun!

O relógio parou.